O CORTEJO FUNEBRE
No fechamento da minha primeira viagem, parado no sinal, frente ao “condomínio São Miguel”, um cemitério da cidade. Uma família leva seu finado. Se homem ou mulher, não sei! Umas vinte, no máximo trinta pessoas, abraçadas, lágrimas, silêncio, um gemido... flores nas mãos. A passos curtos e lentos caminhavam em cortejo, os poucos vivos que acompanhavam o finado, que nada mais podia ver.
De dentro da van, um passageiro exclamou: - Que triste este momento, é muito difícil! E como não poderia ser, completou meu cobrador: - Sim, muito difícil mesmo!
O semáforo abriu, os carros saem, engatei a primeira marcha e segui o meu caminho. Mas aquela cena ficou marcada em minha mente e logo pensei: Na minha partida, não quero flores. Flores quero no meu dia a dia para enfeitar o meu caminho. Flores, quero para sentir seu perfume e envaidecer-me de alegria por seus encantos. Flores, não quero na partida, mas quero em minhas vitórias e conquistas. Não quero também que chorem por mim somente na minha partida. Quero que chorem comigo quando a angústia me tomar, quando a queda acontecer. Lágrimas não de pena, mas pela minha dor. Quero que compartilhem comigo lágrimas de alegria, que saltem, gritem, suspirem comigo o sabor da nova vida em Cristo Jesus. Quero pessoas para caminhar ao meu lado e de mãos dadas. Não quero gente empurrando somente o carrinho com o que sobrará de mim. Desejo pessoas que na hora de desânimo me falem palavras que me levantem e encorajem na caminhada, gente que não me deixará desistir de meus sonhos e projetos, mas pessoas que junto de mim irá com lágrimas, quer de dor ou de alegria, regar as sementes lançadas até que sejam árvores frondosas e dêem frutos em abundância, onde famintos possam se alimentar, deitar e descansar em suas sombras.
